Independência?

terça-feira, setembro 7, 2010

Hoje eu estou há um passo curto e breve de me tornar independente. Basta decidir mudar. Tenho a faca e o queijo nas mãos. E tenho dois dias pra escolher ficar ou partir.

Sempre me senti independente, mas era ilusão. Eu estava ligado por laços afetivos e financeiros à minha família. Mesmo quando saí de casa pra estudar, precisava daquilo que me esperava logo alí, há 2 horas de viagem. E morar sozinho não me tornava independente, não mais do que já era.

Agora isso mudou. Eu conquistei a chance de trabalhar longe e ganhar bem,  e construir uma vida fora dessa pirâmide que me cerca e me protege. E estarei há 2 horas de viagem também, mas não por terra, e sim pelo ar. E voar sempre foi mais gostoso do que rolar pneus pelas estradas. Voar é um símbolo de liberdade e independência, afinal.

25 independências.

terça-feira, setembro 7, 2010

A meta desse post é resgatar os setedesetembros que eu vivi. No primeiro deles, há 25 anos, eu me tornei orfão de pai. Imagino bem aquele feriado ensolarado e festivo, com bandas marciais se apresentando na avenida principal, almoço com toda família reunida e coca-cola em garrafas de vidro na mesa. Meu pai e seus amigos não perdiam um bom feriado pra jogar futebol, mas foi demais pro seu coração já doente.

Lembro de estar na casa da minha avó, nos fundos da casa da minha tia, enquanto meu irmão e minha irmã vestiam suas roupas alugadas pro desfile que passava pela praça. A escola tinha ensaiado suas crianças e adolescentes com instrumentos musicais e malabares, e era um orgulho. Eu pensava que um dia eu também desfilaria, mas mamãe dizia que só quando tivesse 8 anos – ainda teria que esperar mais 3.

Desfilei uns poucos anos depois e não lembro de nada. Acho que o tempo tava meio chuvoso. Eu fazia parte de um corpo de marcha, sem função sonora, e por isso eu apenas marchei e acenei a quem eu conhecia – isso era proibido, mas eu não me importava. Na escola nós hasteávamos uma Bandeira do Brasil e cantávamos o Hino uma vez por mês. Ou aquele martírio era semanal?

Em alguns anos eu me perguntava como minha mãe se sentira durante os almoços em família nesses feriados, porque ela perdera o marido alguns anos antes. Sempre muito forte, não demonstrava qualquer tristeza, mas eu percebia os silêncios prolongados e as risadas contidas. Deve ter sido difícil.

No ano 2000 meu avô estava no hospital com um câncer terminal e toda a família passou o setedesetembro à flor da pele, com o coração na mão, desejando melhoras milagrosas mas também se preparando pro fim. E o fim não tardou.

Há dois anos eu soube que o seisdesetembro, 6/9, era dia não oficial do sexo. Comemorei no dia seguinte com minha namorada, porque precisava de finais de semanas ou feriados pra encontrá-la. Só lembro desse fato de 2008.

Em 2009, aquela namorada havia me deixado e já estava namorando. Eu estava triste e abalado. Lembro das noites solitárias e das lágrimas. Entretanto, eu estava trocando emails com uma mulher fantástica, que se tornaria mais tarde a minha nova namorada. Naquele 7/9, falamos de como haviam sido os nossos finais de semana, e dos nossos projetos. Ela escrevia um artigo no seu mestrado, e eu escrevia o meu TCC. Perguntei a ela como fora o seu dia do sexo, e contei que o meu foi como qualquer outro dia, sem sexo. Ela respondeu que o dela foi tranquilo demais, e que nem sabia daquela data.

Este ano o dia da independência está marcado de emoções. Tenho a dor e a saudade de outra relação que parecia forte mas falhou, o peso de uma decisão que muda completamente meu futuro, e uma vontade de ficar sozinho que contrasta com o clima sombrio desses dias.

E então o vinho transborda o copo…

quinta-feira, setembro 2, 2010

… ou o leite transborda a tijela com cereais, ou então são os mares que transbordam o mundo.

A ansiedade latente, presença confirmada nas esperas e expectativas, derrama uma gota por pensamento e preenche um vazio imenso que prefere continuar vazio. Quando enche, o coração bate depressa e as palavras tremem. As suprarrenais não esgotam a adrenalina e o dia passa devagar.

Nessas horas bom mesmo é extravasar com um grito forte contra a chuva e o vento, com os braços extendidos e o coração completamente livre.  Os músculos do tórax espremem para fora todo o ar dos pulmões – e com ele toda a angústia. As gotas da chuva disfarçam as lágrimas, porque homens não choram. E o vento, por fim, leva o grito e seus demônios pra bem longe.

Um outro quase da vida…

terça-feira, agosto 31, 2010

Estou chocado. Emanuele é muito querida pra mim, mesmo depois de tudo o que houve, e eu queria ter visto seu nome na lista de convocados. Ela ficou em 5°, e somente 4 foram chamados. Eu sei quanta expectativa foi posta nesse edital, e não imagino como seja doloroso saber que deu errado. Embora eu não esteja mais presente, estou com o coração na mão por causa do resultado e desejo muita paz, se isso for possível, e muita resignação. A perícia terá que esperar…

Reset.

sexta-feira, agosto 27, 2010

Ontem eu dormi sem fechar os olhos. Foi logo depois de um impacto forte na nuca. Não sei bem o que houve, mas eu caí de costas. Meus amigos dizem que eu fiquei deitado por um tempo antes de ser ajudado. Quando levantei, perguntaram meu nome e eu disse sorrindo “é Cláudia, agora vamos voltar pro jogo.” Eu não lembro. Esqueci também de como foi o resto do jogo. Do início eu lembro um pouco.

Defendi, corri, driblei e fiz gol, mas eu não estava lá. Um amigo muito cuidadoso percebeu algo diferente e insistiu que eu devia sentar e passar água fria na cabeça. Foi quando eu tive náusea, tontura e muita dor. E o pior de tudo foi a confusão mental.

Eu pensei em ligar para Emanuele e contar o que houve, e perguntar do seu dia. Pensei em entrar no fórum e verificar se a Petrobras havia divulgado os resultados, e fiquei preocupado com o paper que estava escrevendo e que precisava de uns retoques. O problema é que Emanuele e eu terminamos há mais de mês e não nos falamos mais, e a Petrobras já divulgou o resultado do concurso. Aquele paper já foi sumetido.

Eu voltei a viver um momento do meu passado , como se o que eu vivi depois tivesse sido apagado. E eu tava acreditando naquela realidade. Foi chocante quando o sonho começou a terminar, conforme a água escorria pelo meu pescoço. Eu senti uma tristeza profunda pelo do fim do namoro, tal qual eu senti logo que o fim foi consumado. E então eu me senti orgulhoso e feliz pela aprovação no concurso, e aliviado por já ter finalizado um artigo científico. Lembrei em um instante de muitas coisas que aconteceram neste último mês. Senti em um instante um bocado das emoções que experimentei nos dias que passaram e que, após o impacto, estavam suspensas.

Os efeitos passaram todos em umas 5 ou 6 horas. O que sobrou foi uma dor de cabeça de 100 enxaquecas

Atitude.

quinta-feira, agosto 26, 2010

A minha vida tem sido uma sucessão de quases. Sem entrar em muitos detalhes, eu poderia ter sido escolhido em uma seleção de emprego, mas não fui. Eu estou em 42° na classificação de um ótimo concurso, mas apenas 41 foram chamados. A minha classificação no exame quase me deu uma bolsa de mestrado. Eu tive uma relação quase perfeita, que quase deu certo. Eu quase consegui o telefone daquela menina bonita, porque ela está quase comprometida.

Eu não me orgulho de nada disso. Preciso de mais atitude. A vida grita por mais entrega em todos aspectos, porque o quase é aquele mergulho na água rasa, onde os pés ainda podem tocar o solo – ninguém tem medo de se afogar quando basta ficar de pé pra voltar a respirar. Agora eu busco águas mais profundas.

Deriva.

quarta-feira, agosto 25, 2010

A rede na minha sala ainda balança menos que eu. E embora eu tente compensar o movimento etílico do meu mundo impulsionando a rede pro outro lado, o efeito é sempre o mesmo: tempestade marítima na minha canoa furada. O violão no colo e a voz rouca procuram um A7# e uma velha melodia: “quando a gente tenta, de toda maneira, dele se guardar: sentimento ilhado, louco amordaçado, volta a incomodar.” Lindo, não? Tentei chorar, mas acabei dormindo.

“Que a minha loucura seja perdoada, porque metade de mim é amor, e a outra também.”

Ensouidís.

domingo, agosto 22, 2010

80′s que pareciam 90′s ou 70′s. A festa que anunciava homo foi hetero, sem a pureza dos eletrônicos experimentais. E as experiências foram homo-hetero-supimpas. Porque supimpa é termo dos 80′s, mas dizem que o canal mesmo é dançar até o chão. E quem não tinha passo ensaiado, dançou (dancei) como se ninguém olhasse. Girls just wanna have fun, but I can’t stop loving you. No final de tudo, sobrou o volante nas minhas mãos, a estrada turva e alcoolizada (porque eu não bebo, mas ela sim) e a lua quase cheia cantando zeca baleiro: ando tão à flor da pele, que qualquer beijo de novela me faz chorar.

Eu já escrevi assim, entorpecido, após algumas festas, e nunca soube ao certo se estava escrevendo bem. Mas é justamente do que se trata o post: viver sem julgar, sem pensar, sem reduzir os fatos nem minimizar as consequências, sem me preocupar com a platéia e sem pedir aplausos. Eu faço por amor. Outrora único, agora livre, mas sempre por amor.

e a resposta foi…

sábado, agosto 21, 2010

” e se nós descobrirmos que nos amamos muito, e se quisermos passar a vida toda juntos, como faremos? Precisaremos de um Gran Canion pra esconder o nosso amor?”

21 de setembro

sábado, agosto 21, 2010

‘Acordei com essa música…
“Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar”
Obs: Não quero esperar…. ‘
Ninguém pode imaginar quanta paixão está contida nessa mensagem. Tampouco é possível medir a ansiedade que me torturava enquanto a lia…
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