25 independências.
terça-feira, setembro 7, 2010
A meta desse post é resgatar os setedesetembros que eu vivi. No primeiro deles, há 25 anos, eu me tornei orfão de pai. Imagino bem aquele feriado ensolarado e festivo, com bandas marciais se apresentando na avenida principal, almoço com toda família reunida e coca-cola em garrafas de vidro na mesa. Meu pai e seus amigos não perdiam um bom feriado pra jogar futebol, mas foi demais pro seu coração já doente.
Lembro de estar na casa da minha avó, nos fundos da casa da minha tia, enquanto meu irmão e minha irmã vestiam suas roupas alugadas pro desfile que passava pela praça. A escola tinha ensaiado suas crianças e adolescentes com instrumentos musicais e malabares, e era um orgulho. Eu pensava que um dia eu também desfilaria, mas mamãe dizia que só quando tivesse 8 anos – ainda teria que esperar mais 3.
Desfilei uns poucos anos depois e não lembro de nada. Acho que o tempo tava meio chuvoso. Eu fazia parte de um corpo de marcha, sem função sonora, e por isso eu apenas marchei e acenei a quem eu conhecia – isso era proibido, mas eu não me importava. Na escola nós hasteávamos uma Bandeira do Brasil e cantávamos o Hino uma vez por mês. Ou aquele martírio era semanal?
Em alguns anos eu me perguntava como minha mãe se sentira durante os almoços em família nesses feriados, porque ela perdera o marido alguns anos antes. Sempre muito forte, não demonstrava qualquer tristeza, mas eu percebia os silêncios prolongados e as risadas contidas. Deve ter sido difícil.
No ano 2000 meu avô estava no hospital com um câncer terminal e toda a família passou o setedesetembro à flor da pele, com o coração na mão, desejando melhoras milagrosas mas também se preparando pro fim. E o fim não tardou.
Há dois anos eu soube que o seisdesetembro, 6/9, era dia não oficial do sexo. Comemorei no dia seguinte com minha namorada, porque precisava de finais de semanas ou feriados pra encontrá-la. Só lembro desse fato de 2008.
Em 2009, aquela namorada havia me deixado e já estava namorando. Eu estava triste e abalado. Lembro das noites solitárias e das lágrimas. Entretanto, eu estava trocando emails com uma mulher fantástica, que se tornaria mais tarde a minha nova namorada. Naquele 7/9, falamos de como haviam sido os nossos finais de semana, e dos nossos projetos. Ela escrevia um artigo no seu mestrado, e eu escrevia o meu TCC. Perguntei a ela como fora o seu dia do sexo, e contei que o meu foi como qualquer outro dia, sem sexo. Ela respondeu que o dela foi tranquilo demais, e que nem sabia daquela data.
Este ano o dia da independência está marcado de emoções. Tenho a dor e a saudade de outra relação que parecia forte mas falhou, o peso de uma decisão que muda completamente meu futuro, e uma vontade de ficar sozinho que contrasta com o clima sombrio desses dias.