DIA DA FOTOGRAFIA
quinta-feira, agosto 19, 2010
Ano passado eu escrevi sobre fotografia:
Clique.
sábado, setembro 5, 2009
Abra a mente, a capa, o diafragma. Focalize. Deixe passar. É passado. Tão logo o espelho levanta, o caminho limpa. Nada impede, nada bloqueia, nada perturba. A luz passa, contorna, abraça. Antes de chegar no fundo do poço, desvia. As lentes do preconceito divergem aquilo que o carinho convergiu. E as do amor não encaixam mais. Nada é igual depois da tempestade, lente obscura, sentença vaidosa. Parece distante, mas veja por outro ângulo: na teleobjetiva desse inverno cabem apenas alguns graus. Frio. Que tal trocar por uma grande angular? Se a exposição for menor, vai sobrar tempo pra nós? Meu tremido nervoso vai borrar teu filme? O sorriso ficará amerelo? O momento crucial da fotografia não avisa quando chega. Esteja a postos para não perder o clique. E tome cuidado com o photoshop da memória. Ele troca matizes, redefine contornos, esconde detalhes.
Hoje é o dia, outra vez. Fotografe, mesmo que a câmara escura esteja na mente. E lembre-se: a luz é o principal para uma boa fotografia. Ilumine-se.
Introspecção
quinta-feira, agosto 19, 2010
Tenho andado pelo campus e vejo detalhes que não reparava há a tempos. Tem um cartaz meio apagado numa parede, convidando para festa à fantasia que eu fui no ano passado, no dia 18 de setembro. Quase um ano passou e ainda tem pedaços da propaganda. Eu lembro da festa, eu lembro de como eu me sentia. Tem os bancos onde eu discutia física com amigo matemático. Ele está indo a Portugal fazer o doutorado. Tem o final da calçada que dá acesso ao estacionamento. Eu estive lá apenas uma vez, na tarde única quando encontrei Emanuele no campus. Tem a grama onde, num final de tarde de verão, eu deitei as costas, e do meu lado estava Andréia, amiga ímpar por quem até hoje tenho carinho. Tinha o Silvio e sua namorada, e as nossas discussões imprevisíveis sobre temas inusitados. Começou a chover de leve naquela tarde e lá nós ficamos por uns minutos, recebendo a água do céu. A chuva tem muitas histórias pra contar, porque ela surge nas núvens, atravessa um caminho longo em queda livre, vê o mundo de um ângulo novo, antes de voltar a fertilizar a Terra. E ela foi mar, riacho, lagoa ou poça d’água antes de evaporar e terminar seu ciclo. É poético, não? Tem aqueles caminhos que eu fiz durante anos. Quando estava atento percebia que todos dias o cenário era o mesmo, mas a peça era diferente, com roteiro e personagens renovados. Tem os pŕedios cheios que sempre foram vazios porque eu nunca soube o que se fazia lá. Tem os diretórios acadêmicos e suas festas e loucuras, e o diretório central com suas promessas e desculpas. Tem as salas dos professores com seus móveis inventariados e suas equações na parede. Tem o quadro negro manchado de giz, e o pó espalhado que entra nos pulmões quando o professor apaga a matéria. Mas que absurdo, a matéria nunca some, apenas se transforma, como bem disse o químico Lavoisier. Um químico no sangue, uma química nos braços, uma noite inesquecível. Um físico no espelho, uma física por descobrir, uma noite solitária. Muito estudo pintou esse campus com as cores da responsabilidade, e o resultado é a aprovação – provocação do caos – com face de provação, mas com sabor de vitória.
Tenho boas memórias daqui e parece que em breve terei que me ausentar por muito tempo. É bom revisitar alguns momentos únicos pra não esquecer mais do que passou. Mas o passado é um lugar bom pra visitar e não pra viver. Por isso eu apenas mantenho as memórias vivas, alimentando-as com um pouco de introspecção.
Desta vez o Dave cantava “Somebody’s broken heart becomes your favorite song.”
O radialista fez um comentário engraçado e então sorriso da morena pequena de olhos grandes e castanhos se tornou uma boa referência do que é a beleza, e o vento leve e morno do verão da montanha ainda impressiona a pele da minha nuca quando penso nas palavras doces que ouvia da menina mais linda. O que o radialista tinha a ver com a minha definição de beleza e o que as palavras encantadas tinham a ver com a minha nuca?
Os meus sentimentos motivam ações que motivam sentimentos nos outros, que podem motivar paixões por músicas, objetos, que podem cativar conversas ou criar memórias.
Será que tudo está interligado?
Quântica sexual – 1.
terça-feira, agosto 17, 2010
Não dá pra saber o que esperar de uma transa antes de começar. Isso é papo de mecânica quântica entre nerds da física, que sabem que as probalidades de um evento acontecer colapsam para 100% quando é feito o experimento. E assim, no meio do sexo, parece que nós já sabíamos que tinha que ser assim.
Há infinitas possibilidades quando transamos com uma só pessoa. Quando temos N pessoas, temos (infino)^N possibilidades. É impossível imaginar tantas variações de um único e bem debatido tema. Mas me impressiona como em instantes tudo começa a seguir um rumo bem determinado e equilibrado. Somos realmente bem adaptáveis, não é?
Me sinto um camaleão, embora goste de lembrar de um calango de patas grossas e pontos coloridos.
Aquecimento Global.
terça-feira, agosto 17, 2010
Eu saí cedo de casa e logo coloquei os fones de ouvido. Tão cedo entrei no ônibus, abri um livro e perdi o caminho. O ônibus passou algumas páginas de concreto e asfalto e logo a universidade surgiu. Eu me pergunto se ela passou o tempo todo lá, ou desapareceu quando saí e reapareceu quando cheguei.
O caminho entre a parada e a sala de aula sempre é uma surpresa. Eu trilho os mesmos passos há uma mão cheia de anos, mas sempre vejo novidades.
Vi o casal que chegou mais cedo, abraçado, com olhares doces e palavras sussurradas. Vi os cachorros e suas feridas brincando. Vi o vendedor de balas à preços de aeroporto com a face deprimida. Vi a joaninha vermelha na pedra da grama (um coleóptero feliz?) e alguns pássaros brincando entre uma e outra árvore. O céu era azul e as árvores estavam verdes, mas o amarelo do sol matinal deixou todas cores mais vivas e receptivas. No fone de ouvido o Dave cantava “If you never flew why would you, cut the wings off a butterfly? Fly.” Por que você cortaria as asas de uma borboleta se você nunca voou? Voe.
O frio enrubesce as faces e contrai os músculos. Parece que todos andam tensos no inverno. É impossível não analisar o mundo nessas manhãs geladas. O meu mundo. A física me aguarda na sala de aula, nos livros, na ponta do lápis e nas conversas de corredor. Os amigos tem novidades pra contar, as amigas tem olhares enigmáticos, os professores sempre tem algo pra ensinar. As festas fazem meu sono mais raro e meu sorriso mais constante, as partidas de futebol me deixam suado e as idas à serra me trazem a paz da família.
O ar frio entra pelas minhas narinas e deixa meu nariz vermelho, mas sai notoriamente mais quente. Eu respiro meu mundo: o inspiro frio, mas sempre o aqueço antes de devolver.
Formatura
segunda-feira, agosto 16, 2010
No último sábado eu fui à formatura da turma de física deste semestre. Eu vi os convidados chegando no hall de entrada e se dirigindo às escadas, os últimos preparativos da produtora de eventos no palco, a expectativa do público bem vestido e a excitação dos professores togados que já entravam no salão. A cerimônia começou com algumas palavras protocoladas da diretora do Instituto de Física. Ela convidou os paraninfos a buscarem seus afilhados, ao som de bitter sweet simphony, e a música pausou assim que os professores chegaram à porta. O silêncio deve ter esmagado o peito dos graduandos.
A música deles começou e então a longa caminhada até o palco mostrou seus rostos enrubescidos e seus sorrisos brilhantes. Me lembrou da minha euforia quando eu caminhava por aquele caminho, há alguns meses, escutando os aplausos de um público receptivo, mas ignorante em certo aspecto: eles não fazem idéia do que significa se formar em física.
Após mais algumas ações protocoladas os formandos juraram promessas óbvias e imponentes e receberam seus canudos. Abraços, beijos, sorrisos e agradecimentos velados a colegas e professores e familiares e convidados marcaram os dois minutos em que cada novo físico parmanecia fora do seu lugar. Na minha época cada formando se pronunciava por cerca de um minuto no púlpito, mas essa graça foi decepada das formaturas. Eu não aprovei a mudança, mas não aprovava a atividade quando havia muitos formandos. Hoje, cada formando apenas acena e sorri.
O silêncio agora esmagava o peito do orador. Eu quase escutava as batidas do seu coração enquanto ele esperava seu nome ser chamado. Eram as batidas do meu coração no meu discurso, há quase 7 meses, ecoando na minha memória? Eu nunca estive tão nervoso. Desta vez eu apenas sorria de longe e desejava calma ao colega.
A minha formatura somente terminou neste sábado. Antes disso ela estava quase finalizada. Eu precisei ver passar um ciclo inteiro, um semestre inteiro, e assistir a uma nova cerimônia pra selar o que passou naquele dia 17 de janeiro de 2010, quando eu me formava. Não posso expressar como eu me sentia, mas hoje eu tenho um orgulho gigante e uma sede de novas realizações que só pode ser saciada com muito esforço. Somente no dicionário o sucesso vem antes do trabalho, e não há evento que torne isso mais claro do que uma formatura.
O link a seguir é um trecho da minha formatura: minha nomeação a bacharel em física e o meu discurso. Muita coisa mudou desde aquele dia, mas a essência continua a mesma.
Qual é o preço da relação? – 2
quarta-feira, julho 21, 2010
Subtraindo os gastos do bruto, temos o líquido. Frase com uma sacanagem quase explícita, mas é uma frase séria.
O bruto é a soma dos investimentos inicias. Alguns deles são corrigidos conforme o tempo passa: paciência é bem de consumo e o preço aumenta conforme é usada; dedicação é incondicional e não depende de ações estrangeiras, mas varia com a temperatura no período de colheita; desejo varia conforme o mercado, e a política de trocas deve sempre proteger o capital interno; fé em um futuro compartilhado precisa de injeções constantes de capital, com muita publicidade para evitar a concorrência e às vezes alguma reorganização estrutural. Se tudo der certo, o líquido será positivo e os acionistas ficarão felizes.
Mas e a conta da saudade, quem é que paga?
Qual é o preço da relação?
quarta-feira, julho 21, 2010
Fazendo um balanço, é tudo muito caro.
Solteiros não precisam ceder nunca. Tampouco se incomodam quando algo está errado. É simples e rápido substituir a peça defeituosa sem perder o sono.
Namorados sofrem mais. Quando o envolvimento cresce, a velha conduta acaba sendo questionada. É natural, afinal de contas pouco importava o que era dito antes de se envolver. Mas se uma atitude pode magoar alguém importante, então cobranças e conversas duras tomarão espaço na relação.
Aquela menina que fazia o que bem entendia não gostou de ser criticada. Quem ele pensa que é pra não aceitá-la como se apresentou inicialmente? A relação começou a ficar cara quando repetiu a atitude e achou que tinha direito. Então as coisas se inverteram e ela reclamou a já findada paixão, que cedeu lugar ao tédio morno do amor. O preço foi alto demais: ceder para agradar o outro e exigir mudanças para se satisfazer são ações dispendiosas demais, que consomem o cofre de qualquer casal. Se o cofre for curto, limitado, a instituição entra em falência irreversível.
Neste ponto é barato ser solteiro, mas não há juros nem correções monetárias. O investimento da relação também tem custos, mas gera lucros gigantescos.
Memória curta e ignorância…
quarta-feira, julho 21, 2010
…são o segredo da felicidade.
Os momentos mais tristes depois do fim são as lembranças do momentos mais alegres antes dele.
Orgulho Ferido.
terça-feira, julho 20, 2010
A cólera surge assim que uma despretenciosa comparação sugere inferioridade. Por outro lado, é de se exaltar em sorrisos quando a mesma comparação mostra que foi vencedor. O ser humano tem um orgulho tão frágil que nada é aceito no equilíbrio: tudo deve estar acima do médio.
Eu tive medo de ser comparado. Doeu pensar que eu seria julgado inferior. No fundo sinto medo porque julgo demais. Julgava, creio aqui com sinceridade, porque estou melhorando isso. Acredito que posso ser inferior em qualquer aspecto, pois é certo que no mundo há melhores e piores que eu. Mas eu me esforço sem descanso para ser melhor no que faço – e faço muito. Ser julgado inferior em algum aspecto não deve me ferir. Enquanto me ferir, vou controlando meu ego e encontrando mais paz num contexto que já levou o homem a guerras nefastas.