Turismo.

Mergulho meu olhar no oceano profundo dos teus olhos. A tua boca me abraça, com os lábios curvos pra fora, com a língua morna e macia, com as palavras sensuais que me deixam sem chão. Em queda livre, perco o caminho de casa. A estrada bem sinalizada das tuas curvas me leva pro passeio que termina no alto da montanha. E a vista é linda lá de cima…

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A felicidade bestializa. Só o sofrimento humaniza as pessoas.

Quintana acertou. Tá escondido bem no fundo o que as pessoas são de verdade. Os sorrisos e as alegrias não encerram nada mais do que uma imagem forte do ser humano frágil que não enfrenta as próprias bestas. Essa distorção me faz questionar a felicidade verdadeira como uma guilhotina questiona os pescoços.

Eu ainda acredito na felicidade e no amor, mas não quando eles vêm embalados pra presente.

Sobe.

 

bessel

Há pouco tempo eu eu disse que “daqui pra frente serão altos e baixos, mas os altos serão mais amenos, e os baixos serão mais humanos.” Pros leigos, uma onda que morre. Pros especialistas, uma função de Bessel de ordem zero.
Eu profetizei os meus dias de menos Mau. Porque tem dias que eu sou mais e tem dias que eu não estou. E ser nulo é transitório: logo subo, logo desço.

Barroco.

O homem é um eterno barroco. O tema do post “monopólio” me fez pensar assim, mas é uma conclusão que se aplica a muitos temas. O prazer momentâneo com aquela gostosa vale mais a pena que o eterno amor daquela menina que está longe? Analisar essa questão de longe torna a resposta bem fácil e intuitiva, mas enquanto se passa pela dúvida, tudo é complicado. Porque não há certeza de amor eterno, mas há certeza de uma boa transa. Há o risco de perder o amor eterno com a transa, mas é ele que nos faz perder a chance de curtir novos sabores . E o homem desde muito tempo esteve dividido entre as trevas e a luz, entre o gozo e a salvação, entre gregos e troianos. Essas dúvidas dominaram o mundo cultural durante um bocado de tempo, e embora a arte não seja mais barroca, a humanidade sempre será.

Plantas-carnívoras.

Este país é uma selva. Os sevidores públicos estão em estado vegetativo. Os políticos interromperam a fotossíntese e agora só consomem o nosso oxigênio. Nesse oceano de corruptos e acomodados não há mais algas. Cravos e rosas e margaridas e todas que se destacaram logo serão levadas ao funeral. As samambaias continuam liderando o Ibope, mas a disputa contra as frutas está acirrada. Eu adoro moranguinho, melancia, melão, mas o limão combina mais com o meu mau-humor. Boiando sobre os problemas dos outros estão os ricos-vitória-régia, mas fezes não afundam e quem sabe algum dia eles sintam o próprio aroma. Enquanto isso, tal qual girassol, eu olho pra luz a cada dia e aguardo com sede um pouco de chuva. E se a primavera não trouxer novas sementes, que as velhas padeçam no verão.