Uma segunda chance.

Jonas dobrou o papel e o guardou novamente no envelope decorado. Havia lido aquelas palavras pela quarta vez e não conteve as lágrimas em nenhuma delas. Era preciso ir. E como se já não fosse difícil evitar aquela batalha entre o que se deve fazer e aquilo que o coração deseja, a carta mais linda do mundo terminou de silenciar o autocontrole e convidou todas as emoções para gritarem bem alto.

Jonas encontrara Ana no aeroporto, dez dias antes. Nunca tinham se visto ao vivo, mas reconheceram-se de imediato e se abraçaram forte. Sem falar uma palavra, se beijaram.

Foram dez dias incríveis. Ana planejou tudo com um mês de antecedência, mas sempre soube que cada instante traria uma surpresa. Como na primeira noite, quando andou de mãos dadas com ele – ela nunca anda de mãos dadas. Ou quando dormiu no abraço de Jonas. Ana nunca gruda em ninguém para dormir e sequer a sua gatinha Maya tem chance. E mesmo que aquela conversa séria e inesperada sobre o que seria deles no futuro a tenha feito chorar, Ana viveu com a intensidade de quem está inteira e presente, e sentiu uma satisfação sem tamanho ao perceber que venceu essa mania que a vida tem de nos decepcionar.

Todo mundo sabe que é difícil manter uma paixão acesa. Se você considerar uma distância de mais de 10.000 km e situações de vida complexas, parece até insano se apaixonar. Mas Ana e Jonas não vivem apenas uma paixão: eles sabem que sequer precisam e que jamais conseguiriam dar nome ao que sentem. Quando um acolhimento perfeito os faz se sentirem completamente à vontade e a admiração os faz desejarem estar sempre por perto, a distância e os problemas perdem o sentido: eles simplesmente amam, aqui e agora.

Depois de horas de videochamadas e mensagens a cada dia, durante meses, conseguiram arrumar um tempo para um encontro. Finalmente ficaram juntos, e se olharam como crianças curiosas e entusiasmadas. Pode ser estranho quando você conhece uma pessoa muito bem sem nunca tê-la visto, e seus olhos precisam se adaptar à sua forma e aparência. Mas pode ser muito gostoso associar aquela presença gigante e que te faz tão bem aos traços e trejeitos de quem você deseja tanto.

Já não havia dúvidas sobre o que sentiam quando Ana o deixou com algumas cartas no aeroporto. Uma delas devia ser lida apenas no avião, e ele se sentiu novamente um menino quando finalmente se acomodou na sua poltrona, sorrindo e cheio de ansiedade. Lá estava ela, em cada palavra, encantadora, sábia, linda e apaixonante. E lá estava ele, o homem mais sortudo e amado do mundo, chorando de saudades, amor e alegria.

 

oh

Tá na cara.

Eu tenho certeza que sou fácil de ler. A menos que esteja em uma rodada de strip-poker e precise manter as minhas roupas pelo máximo de tempo possível, você vai perceber o meu humor num piscar de olhos. E eu também posso ser capaz de ler você. Talvez só precise aprender melhor o seu idioma, ou treinar a minha percepção com mais disciplina. E talvez às vezes eu prefira falar mesmo o que penso e o que sinto, e escutar diretamente o que você tem para me contar.

Às vezes você não vai me escutar dizendo o que eu sinto por você. Mas quando meus olhos sorrirem, saiba que eu posso estar dizendo que gosto da sua presença de uma forma especial – acho que palavra nenhuma expressaria tão bem um sentimento que os meus olhos jamais negariam. E alguns gestos podem te contar histórias bem mais claras do que aquela mensagem bonita que eu nunca enviei.

Como aquele dia em que você se encolheu de frio sentada no banco e eu te abracei meio de lado, meio por trás. Você abraçou meus antebraços e escorou a cabeça no meu braço, e ficou quietinha. Eu soube em segredo o tamanho do nosso carinho. Ou quando você passou os olhos pela plateia um outra vez e finalmente me encontrou sorrindo. Eu vi a sua surpresa e o seu sorriso tímido, que você só desfez alguns segundos depois, olhando pra baixo e tentando se concentrar. Eu soube sem que você tenha me dito que aquele encontro à distância não planejado era muito bem vindo.

Às vezes está naquele esforço para estar presente enquanto o mundo precisa que você desative uma bomba atômica a maior demonstração de afeto possível. Ou pode estar em um abraço um pouco mais demorado. Mas às vezes você quer me dizer que não está confortável, e esquece que o seu rosto já me contou e que eu entendo.

Comunicação é imprescindível em qualquer relação, e ela é muito mais do que um conjunto de palavras ditas ou escritas. Entender e se fazer entender pode ser mais fácil do que parece, desde que você se permita mostrar com todo o seu ser aquilo que quer dizer.

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Eles foram felizes para sempre. De verdade.

Felipe estava cozinhando quando ouviu o estalo da fechadura e o tilintar das chaves balançando na porta que se abria.

– Oi amor! Eu senti esse cheirinho de cebola e alho fritando lá do elevador. O que você tá fazendo? – Camila disse sorrindo, tirando o sapato. Depois de um dia de trabalho e trânsito, ficar descalça e não precisar cozinhar era tudo o que queria.

– É só um risoto com aqueles aspargos que sobraram da sua salada. Será que já estragaram?

– Acho que não. – Ela deu um beijinho em seu marido com uma mão no peito dele e já foi virando o corpo para ir tomar banho. – Você pegou o Julinho na escola?

– Peguei sim, sua linda. A não ser que não tenha pego. Mas eu peguei sim. Ele está jogando videogame no quarto. – Felipe adorava a rotina da sua família. As pequenas coisas lhe faziam bem. Mesmo quando Júlio não se comportava muito bem ou preferia jogar videogame a fazer a lição, mesmo quando ele jurava que tinha colocado as roupas em saquinhos especiais antes de colocar na máquina de lavar e Camila continuava irritada porque as suas blusas pareciam esgaçadas no varal e mesmo quando era ele quem queria jogar videogame e não fazer mais nada, mas não podia porque tinha afazeres e compromissos. Ele adorava estar com eles, e sentia que não precisava de mais nada para ser feliz.

Felipe sempre foi mais romântico que Camila. Ele aprendeu com ela a ver a vida de forma mais leve e desapegada. Gostava de estar casado, mas de modo algum eles formavam um casal tradicional. Estavam juntos porque gostavam um do outro. Não havia espaço e nem necessidade para cobranças e repreensões. Havia apenas uma liberdade extremamente viciante para serem eles mesmos: pensavam e agiam como queriam e sempre tinham muito diálogo sobre como tudo funcionava. Entretanto, naquela noite, teriam a conversa mais desafiadora que um casal como eles pode ter.

Felipe terminou o risoto na mesma hora que Camila saiu do banho. Ela estava linda com o cabelo molhado e aquela roupa que jamais veria a rua novamente, mas havia alguma coisa diferente no seu olhar. Um franzido rápido e leve no cenho, um desvio rápido quando encontrava os olhos de Felipe, a contração das pálpebras e o olhar fixo no chão.

– Felipe, nós temos que conversar. Eu não quero ser muito abrupta, e você fez uma janta linda, mas nós podemos sentar e conversar? – Ela não sabia como começar, mas tentou trazer ternura para a voz. Felipe assentiu.

– Sirva os nossos pratos e a gente conversa, pode ser? Eu quero o meu com bastante azeite. Eu pego as taças e o vinho.

Eles foram para a mesa, e Camila começou com cuidado:

– Eu te amo. Eu amo estar contigo e me sinto incrível na sua presença. Mesmo que em alguns momentos a gente brigue, logo em seguida eu só penso em estar enroscada em você na cama ou no sofá. E eu sei que você sente o mesmo por mim, mesmo que seja um absurdo eu afirmar isso.

– Sim, amor, é claro que eu sinto, mesmo quando você ronca.

– Você nunca me falou que eu ronco!

– E seria mentira se eu dissesse! Você dorme como um anjo. Mas você queria me dizer que…

– Eu estou apaixonada pelo Pablo, meu colega de trabalho. – Camila fixou um olhar sério nos olhos de Felipe, como que para ter certeza de que ele havia recebido a mensagem corretamente.

Ele olhou para ela durante um longo tempo. Ela era inegavelmente linda e parecia estar igualzinha a 5 anos antes, quando se apaixonaram. Reparou pela milionésima vez nas mandíbulas fortes, nos vincos charmosos na lateral da boca e no desenho amendoado dos olhos, mas logo voltou a sua atenção para o que Camila havia lhe dito. Sentiu um aperto no peito, uma leve tontura, a respiração acelerada e uma náusea estranha. Estava sentindo medo e estava em choque.

– Felipe, fala comigo. Você entendeu o que eu disse?

– Desculpa, eu to usando aqueles fones imperceptíveis do tipo Missão Impossível. Tava passando um conto erótico no ouvido esquerdo e o jogo do Grêmio no ouvido direito. Ambos acabaram da mesma forma.

Camila assentiu com a cabeça e sorriu um meio sorriso, porque entendeu o que ele estava fazendo. Então o observou imóvel por mais 2 minutos, antes de levar mais uma porção de risoto à boca.

– Vamos terminar de comer? – Felipe bebeu a taça inteira e serviu um pouco mais.

Camila não estava entendendo, mas deixou que ele tomasse o tempo que precisasse. Comeu e bebeu em silêncio, se perguntando se ele teria entrado em um estado de negação. Quando terminaram, ensaiou dizer que estava assustada com aquele comportamento, mas Felipe a interrompeu.

– Nós podemos ter essa conversa agora. – Pousou a sua mão sobre a dela e sorriu. Estava sentindo uma tempestade de pensamentos, mas sabia que precisava estar presente e consciente. Continuou surpreso com a própria calma.

– Você pode viver qualquer paixão a qualquer momento, sem que eu sequer imagine. Se você decidiu me contar, é porque quer o meu consentimento, ou porque deseja se separar, ou as duas coisas. E eu estou morrendo de medo, porque viver contigo é fantástico. Mesmo que eu saiba que nada nos prende, é difícil de pensar que a qualquer momento eu vou me ….

– Eu não quero me separar. – Camila o interrompeu com a voz firme, mas logo amaciou o tom. – Eu não queria me apaixonar, eu acho. Ou queria sem perceber. Eu sou feliz contigo e acho injusto que você passe por isso, mas aconteceu. Eu estou confusa e assustada, mas ao mesmo tempo ansiosa e feliz por mim. Eu quero viver o que essa nova paixão me trouxer, mas não quero te magoar. E eu sei que é uma escolha sua se magoar ou não, mas eu to sentindo um peso muito grande.

– Camila, você percebe em que posição eu estou? Eu não posso te dizer para não viver essa paixão. Eu não quero, porque seria injusto eu me colocar entre você e esse novo sentimento. Mas eu não consigo te dizer que está tudo bem e seguir do seu lado como se nada tivesse acontecido. Essa opção me coloca em um nível de estresse que eu nunca senti antes. Eu gostaria que nada disso acontecesse. – Felipe suspirou e apertou as mandíbulas. Os olhos estavam cheios de lágrimas. Claramente estava lutando contra a raiva e a mágoa, mas não queria transformar aquela conversa em uma discussão. – Vocês estão saindo há quanto tempo?

– Eu não o beijei, e sequer o abracei por mais de 3 segundos, Felipe. O Pablo é uma companhia ótima, que me faz um bem indescritível no meio de uma rotina estressante de trabalho, mas nós estamos indo devagar. Claramente é recíproco, mas nós não fazemos ideia do tamanho desse sentimento.

– E desse desejo também não, eu suponho.

– Eu não sei. Eu estou perdida. E eu não consigo lidar com isso sozinha e em silêncio.

Felipe se manteve calado, bebendo um pouco do vinho a cada instante. Camila olhava para o chão com o rosto escorado nas mãos. Ela desejava nunca ter aberto o jogo, mas sabia que não conseguiria se perdoar por agir como se nada estivesse acontecendo.

– Você não precisa se apegar a nada. – Felipe finalmente cortou o silêncio.– Você sabe melhor do que eu que não existe mais nada além do que nós somos e sabemos hoje. Eu vou ficar incrivelmente magoado e triste, mas eu vou sobreviver. E você?

– Do que nós estamos falando, amor? Sobreviver a quê?

– Eu te amo, e jamais desejaria mudar isso. Você é a mulher mais linda e atraente que eu conheço, e eu não estou falando só desse rosto bonito. E você é forte e consegue ficar sozinha com o Julinho, cuidar da casa e de todo resto. Quem sabe consiga até dar conta dessa nova paixão. – Felipe se levantou, deu um beijo na testa da sua esposa e saiu. Ainda caminhando para o quarto, disse sem olhar para ela:

– Você fica no sofá hoje. Amanhã eu não volto pra casa, e ficarei fora durante dois meses. Terei onde dormir, e ainda posso usar férias e folgas para viajar. Quero ver meus irmãos e meus amigos. E quero pensar.

Camila ficou atônita. Demorou mais duas taças para entender que eles estavam se separando, e não soube dizer por quanto tempo. Não conseguiu conter as lágrimas, mas decidiu que não procuraria consolo em Pablo. Não naquela noite.

O mês passou de forma quase violenta. Ela superou a falta que Felipe fazia cuidando de tudo, inclusive da nova paixão – que já se mostrava mais brisa e menos furacão. Ora triste, ora eufórica, mas sempre muito cansada, procurava a sua paz nessa ideia um tanto vaga de que nada estava realmente sob o seu controle. E embora estivesse sempre consciente de que nada jamais foi seu, ela se perguntava o que aconteceria se Felipe se afastasse para sempre. Ela não queria que fosse assim. Será que aguentaria? Será que estaria disposta a viver com Pablo? Só havia um jeito de saber.

Felipe viu seus amigos e familiares. Não podia evitar a tristeza, mas se esforçou para viver um dia de cada vez e desfrutar o que a vida trouxesse. Não sabia o que o aguardaria em sua casa quando voltasse, e quase conseguiu não criar expectativas.

Se telefonaram depois de um mês, e se sentiram ótimos. Camila disse que tinhas muitas novidades, mas entenderia se ele não quisesse saber. Felipe disse que a amava, lhe desejou felicidades e se despediu com um até logo.

 

“Eu pego, mas não me apego.”

Excelente ideia! Não se apegue, mas pegue com vontade. Faça com que não seja em vão. Sinta que está no lugar certo, na hora certa e com a pessoa certa, mas não se apegue.

Você pode até ficar lá depois do sexo para ver seis episódios de How I Met Your Mother comendo pipoca, e se despedir com um beijo que faria o Tarantino dirigir comédias românticas. Você pode mandar uma mensagem quando chegar ao térreo dizendo que esqueceu a sua caneta no meio da bagunça dele, mas você não pode se apegar.

Você pode tudo, sem limites, exceto se apegar. Mesmo que você frequente a casa dele mais vezes que se lembra de passar fio dental nos dentes, ou consiga reconhecer os passos dele quando ele chega e você não está olhando, você não estará apegada. Você não pode. E mesmo se você estiver pensando em escrever sobre a lua de mel ser em Veneza e não em Paris durante a reunião de trabalho mais importante que você já participou, estará tudo sob controle e você não estará apegada.

Repita todos os dias quando acordar: eu pego, mas não me apego. Não se esqueça, porque isso vai salvar a sua vida. Esse mantra vai te fazer perceber que não existe nada melhor do que estar sozinha, mesmo que você sempre espere seu marido no final da tarde para contar como foi no trabalho e reclamar que ele não levou o lixo para fora. Esse mantra vai te mostrar que essa vida a dois, que você permitiu se encaixar na sua rotina frenética, não é uma vida a dois, e sim duas vidas lado a lado. E ele vai te fazer perceber que você pode ter tudo, sem que nada seja seu. Pegue com força, agarre e não solte. Mas não se apegue.

E quando pousar ao seu lado, será porque eu escolhi assim.

Eu não posso fazer você entender como é um choque elétrico se você nunca tomou um. É uma sensação sem um paralelo com a dor de bater o mindinho no pé da mesa, ou cortar o dedo enquanto cozinha ou com uma enxaqueca. E eu também não conseguiria categorizar um choque elétrico, porque só você vai saber se aquele fio desencapado na casa do seu avô foi pior do que quando o chuveiro elétrico estava com defeito.

Mas eu posso adiantar que um choque muda a sua vida. Você aprende com ele, e talvez decida que nunca mais quer brincar com isso. Talvez você simplesmente entenda que até certo ponto um choque pode ser perigoso e mesmo assim não te matar. Talvez por isso mesmo você não sinta medo de consertar os problemas elétricos da sua casa.

Você pode tomar um banho de mar à noite na praia deserta, com a luz da lua e nada mais. Não precisa ser aterrorizante só porque o salva vidas não está lá. Ninguém mais saberá quanto prazer você sentiu no primeiro mergulho, mesmo que você escreva um poema sobre isso. Você pode fazer aquela trilha complicada na pior neve da sua viagem para os Andes, e nem mesmo quem já esteve lá no topo vai entender a sua euforia. Você pode descrever com perfeição, mas eu nunca saberei como você sentiu o ar gelado e o sol e o silêncio.

Você pode me falar de como alguém pode sair da sua gaiola e deixar para trás as coisas que aprendeu a amar simplesmente porque eram tudo o que tinha. Você pode me fazer fantasiar com o vento na cara e com o deslumbramento de poder pousar em qualquer árvore, sem que eu precise voltar para minha gaiola quando a tempestade chegar. Mas a liberdade é um sentimento indescritível. Somente quando eu voar com as minhas próprias asas eu terei essa certeza de que só os amores livres valem a pena.

Freedom-Quotes-56

Apaixomeu e Zenlieta

Ah, se os poetas soubessem como eu te amo, perderiam a lucidez procurando em vão por palavras e frases que não fossem ordinárias e injustas com o meu coração! E se o mar o ouvisse bater, se sentiria pequeno e limitado até mesmo nas suas maiores tempestades. Aceite as minhas flores, as mais belas e coloridas que o homem já colheu, e aceite também que eu coloque uma aliança em seu dedo. Você quer casar comigo?

 A.

 

Meu querido amado, que lindas palavras você me escreveu! Mas eu não desejo que o mar se compare ao seu amor, e nem que os poetas enlouqueçam. Não desejo o seu coração agitado, e sim sereno como as águas calmas de um lago rodeado de árvores e pássaros. Não desejo as flores que o homem matou para que o seu amor tenha formas e cores, e nem desejo uma aliança. Não preciso de um adorno para amar e nem para me sentir amada!

Z.

 

Mas você é a minha amada imortal, a razão do meu ser! Eu estou louco para estar contigo! Você completa a minha vida, como duas metades que nunca devem se separar! Eu a desejo muito, e tenho certeza que te amarei para sempre! Case comigo!  

 A.

 

Não me leve a mal, por favor. A minha intenção não é lhe magoar. Mas eu amo em silêncio, porque eu amo inteira. Não somos metades. E não é que você me incomode demonstrando o que sente – na verdade, você pode continuar como quiser. Mas você não vai animar uma festa em nossas vidas cantando as minhas músicas favoritas. E todos sabem que nenhuma festa dura para sempre. Entenda querido, o meu amor é contemplação, paz e alegria. Você gostaria de se juntar a mim?  

Z.

 

E por que você não se junta a mim? Eu estaria sufocando o que sinto se tentasse ficar em paz como um lago na primavera. Estaria frustrado por não poder subir no mais alto prédio para gritar com força o quanto a amo. Como poderia amar tanto e não poder lhe fazer todos os agrados que desejar? Este amor que me faz enlouquecer não pode ser amarrado! Será que você não me ama a ponto de rasgar o peito e perder o senso? Será que alguma você já amou como eu a amo?  

A.

 

Por certo que eu conheço este amor arrebatador. Meu coração tem espaço para ele também, e a ele eu jamais fecharia as portas. Eu jamais diria que não desejo expressar meus afetos, e eu jamais diria que o seu amor é ruim, pequeno ou impuro. Mas eu jamais desejaria viver somente um sentimento de tormentas. Porque eu o amo em silêncio, sem esperar nada de você e sem que exista esforço ou sacrifício ou culpa. Só assim eu posso estar de verdade em contato com o seu coração, e você com o meu. E só assim, meu amado, nós estaremos em paz, mesmo quando desejarmos gritar aos quatro ventos o quanto nos amamos. Por favor, você gostaria de se juntar a mim?

Com muito amor, Z.