Se você parou pra pensar, então já é tarde demais.

O que move você? O que te faz dar um passo, um salto, uma festa? Qual é o combustível que te dá força? De onde vem a sua energia?

Quando você quer algo, você vai lá e faz. Não tem desculpa. Não precisa justificar. E não existe um bom momento: deixar para amanhã pode se tornar insuportável. Quando você percebe que precisa mudar de rumo, continuar na direção errada é desesperador – mesmo que nesse caminho você ainda tenha o apoio dos seus amigos, um chão firme e conhecido e um guarda-chuva. Por que continuar caminhando para longe da sua felicidade? Por que se permitir gozar de mais um minutinho de conforto se você não tem todo o tempo do mundo para ser inteiro e feliz?

A não se quer você não queira de verdade. A não ser que, intelectualmente, você acredite que seja um jogo de prós e contras e que a mudança não vença de lavada. A não ser que você duvide que seja a melhor aposta. Mas observe que você duvida apenas intelectualmente. Porque se você permitiu que o seu cérebro criasse uma lista de coisas boas e ruins, você acabou com a aquela energia incrível. Até o fato de se tornar uma aposta, com perdas e ganhos, leva embora todo o espaço dessa energia – nada pode ser mais confuso e atordoante do que isso. Não resta mais nada daquele ímpeto que faria você mudar agora mesmo.

Nós crescemos acreditando que temos que lutar pelo que queremos, mas nos ensinaram a ter medos incontroláveis de coisa nenhuma – até mesmo da luta. Não conhecemos a liberdade de sermos nós mesmos, imperfeitos e únicos, até o momento em que fazemos exatamente o que queremos do fundo do coração. E nunca aprendemos a beleza e a simplicidade de não pensarmos tanto sobre os riscos e aceitarmos que não temos controle.

Mas você pode mudar. Pode ser que tenha deixado o seu desejo abandonado na estrada e sem combustível, até o momento em que percebe que quer ser feliz e que não precisa mais daquela gasolina toda. Como num passe de mágica, você vai se sentir cheio de energia e vai fazer aquilo que realmente quer. E mesmo que o tempo tenha passado e que as coisas tenham mudado, você simplesmente vai lá e faz, porque é isso o que o seu coração quer e não importa mais o resultado.

A tecla mais dura do seu teclado.

É uma tecla difícil o bastante para que você fuja dela. Talvez até seja pesada demais para o seu dedo. Talvez você tenha habilidades suficientes para escrever muito sem nunca precisar dela. Mas não importa quão bem o seu texto esteja fluindo: cedo ou tarde você terá de amassar a tecla mais dura do seu teclado.

Eu pensava que a tecla mais dura era o espaço, aquele que separa você de mim, que me faz ter saudade de casa, que transforma um até logo em uma dolorosa saudade. Ter espaço é importante para que você seja simplesmente você e para que cada coisa seja feita no seu momento. Você pode colocar quanto espaço você quiser no seu texto, mas você também pode diminuí-lo e até grudar algumas coisas. Eu prefiro, por exemplo, bomdia e boanoite, tudo junto. Porque mesmo me bastando sozinho e mesmo que eu seja feliz rodeado de espaço, eu prefiro ter essa chance de estar grudado em quem eu gosto. Mas você pode não gostar de separar as coisas e ter dificuldades com a tecla espaço, sem que ela seja a tecla mais dura.

A tecla mais dura do seu teclado é aquela que você não quer apertar, mas precisa. Ela te mostra que às vezes você tem que abrir mão do seu pensamento. Ela exige que você interrompa uma coisa boa e te leva ao vazio: é o ponto final.

O ponto final sempre pode ser um problema necessário. Quando você deseja terminar um relacionamento, você não coloca vírgula e nem dois pontos. Você precisa encerrar aquele capítulo com um ponto final, ou jamais começará um novo. E tudo bem se o seu livro tiver um só capítulo – você pode ser imensamente feliz assim. Mas a vida vai colocar alguns pontos finais na sua história e ela não liga para o que você quer.

Os pontos finais sempre vêm colados em você, mas depois dele sempre está cheio de espaço. Aquele mesmo espaço da separação e da dolorosa saudade, mas em uma quantidade gigantesca. E essa interrupção pode ser aquilo que você mais teme, sem perceber que é ela quem cria todo o espaço que surge depois. Esse espaço é quem introduz um novo capítulo.

A gente não aprende a se despedir por inteiro. A gente não sabe muito bem como fazer quando precisa olhar para o ponto final e ir embora. Como fazer para não tentar desesperadamente escrever mais e evitar que a hora dele chegue? Como fazer para não ser pego sem palavras quando ele surge sem avisar?

Talvez o único recurso de um escritor amador e cheio de limitações seja contar a melhor história possível, sempre. Cada palavra precisa ser valorizada, e cada frase deve ser prosa e poesia. Assim os seus capítulos serão ricos, cheios de vida e amor. Quem sabe desse jeito você nem se importe muito com a maneira como termina?