IMG-20160223-WA0006.jpg

Anúncios

Se você parou pra pensar, então já é tarde demais.

O que move você? O que te faz dar um passo, um salto, uma festa? Qual é o combustível que te dá força? De onde vem a sua energia?

Quando você quer algo, você vai lá e faz. Não tem desculpa. Não precisa justificar. E não existe um bom momento: deixar para amanhã pode se tornar insuportável. Quando você percebe que precisa mudar de rumo, continuar na direção errada é desesperador – mesmo que nesse caminho você ainda tenha o apoio dos seus amigos, um chão firme e conhecido e um guarda-chuva. Por que continuar caminhando para longe da sua felicidade? Por que se permitir gozar de mais um minutinho de conforto se você não tem todo o tempo do mundo para ser inteiro e feliz?

A não se quer você não queira de verdade. A não ser que, intelectualmente, você acredite que seja um jogo de prós e contras e que a mudança não vença de lavada. A não ser que você duvide que seja a melhor aposta. Mas observe que você duvida apenas intelectualmente. Porque se você permitiu que o seu cérebro criasse uma lista de coisas boas e ruins, você acabou com a aquela energia incrível. Até o fato de se tornar uma aposta, com perdas e ganhos, leva embora todo o espaço dessa energia – nada pode ser mais confuso e atordoante do que isso. Não resta mais nada daquele ímpeto que faria você mudar agora mesmo.

Nós crescemos acreditando que temos que lutar pelo que queremos, mas nos ensinaram a ter medos incontroláveis de coisa nenhuma – até mesmo da luta. Não conhecemos a liberdade de sermos nós mesmos, imperfeitos e únicos, até o momento em que fazemos exatamente o que queremos do fundo do coração. E nunca aprendemos a beleza e a simplicidade de não pensarmos tanto sobre os riscos e aceitarmos que não temos controle.

Mas você pode mudar. Pode ser que tenha deixado o seu desejo abandonado na estrada e sem combustível, até o momento em que percebe que quer ser feliz e que não precisa mais daquela gasolina toda. Como num passe de mágica, você vai se sentir cheio de energia e vai fazer aquilo que realmente quer. E mesmo que o tempo tenha passado e que as coisas tenham mudado, você simplesmente vai lá e faz, porque é isso o que o seu coração quer e não importa mais o resultado.

A tecla mais dura do seu teclado.

É uma tecla difícil o bastante para que você fuja dela. Talvez até seja pesada demais para o seu dedo. Talvez você tenha habilidades suficientes para escrever muito sem nunca precisar dela. Mas não importa quão bem o seu texto esteja fluindo: cedo ou tarde você terá de amassar a tecla mais dura do seu teclado.

Eu pensava que a tecla mais dura era o espaço, aquele que separa você de mim, que me faz ter saudade de casa, que transforma um até logo em uma dolorosa saudade. Ter espaço é importante para que você seja simplesmente você e para que cada coisa seja feita no seu momento. Você pode colocar quanto espaço você quiser no seu texto, mas você também pode diminuí-lo e até grudar algumas coisas. Eu prefiro, por exemplo, bomdia e boanoite, tudo junto. Porque mesmo me bastando sozinho e mesmo que eu seja feliz rodeado de espaço, eu prefiro ter essa chance de estar grudado em quem eu gosto. Mas você pode não gostar de separar as coisas e ter dificuldades com a tecla espaço, sem que ela seja a tecla mais dura.

A tecla mais dura do seu teclado é aquela que você não quer apertar, mas precisa. Ela te mostra que às vezes você tem que abrir mão do seu pensamento. Ela exige que você interrompa uma coisa boa e te leva ao vazio: é o ponto final.

O ponto final sempre pode ser um problema necessário. Quando você deseja terminar um relacionamento, você não coloca vírgula e nem dois pontos. Você precisa encerrar aquele capítulo com um ponto final, ou jamais começará um novo. E tudo bem se o seu livro tiver um só capítulo – você pode ser imensamente feliz assim. Mas a vida vai colocar alguns pontos finais na sua história e ela não liga para o que você quer.

Os pontos finais sempre vêm colados em você, mas depois dele sempre está cheio de espaço. Aquele mesmo espaço da separação e da dolorosa saudade, mas em uma quantidade gigantesca. E essa interrupção pode ser aquilo que você mais teme, sem perceber que é ela quem cria todo o espaço que surge depois. Esse espaço é quem introduz um novo capítulo.

A gente não aprende a se despedir por inteiro. A gente não sabe muito bem como fazer quando precisa olhar para o ponto final e ir embora. Como fazer para não tentar desesperadamente escrever mais e evitar que a hora dele chegue? Como fazer para não ser pego sem palavras quando ele surge sem avisar?

Talvez o único recurso de um escritor amador e cheio de limitações seja contar a melhor história possível, sempre. Cada palavra precisa ser valorizada, e cada frase deve ser prosa e poesia. Assim os seus capítulos serão ricos, cheios de vida e amor. Quem sabe desse jeito você nem se importe muito com a maneira como termina?

Mas eu coloquei fogo nele.

A tradução de Tinder pode ser “isca de fazer fogo”. Sabe aquele pedaço de jornal que você amassa e coloca entre os gravetos antes de tacar fogo? Ou aquela estopa que incendeia muito fácil? Esse é o Tinder. Pra quem conhece o aplicativo, faz sentido: ele já subentende que um casal que der match pode sentir a temperatura subir. E embora o objetivo principal seja pegação e sexo, sem enrolação, o resultado é imprevisível. Mesmo que você seja uma pessoa tímida e não se dê bem nas ameaçadoras conversas ao vivo com o sexo oposto, usando o Tinder você pode conseguir uma transa casual, uma nova amizade ou até um namoro.

Lá você encontra de tudo. É um microcosmo da sociedade. Você encontra muitas mulheres mostrando o corpo na praia se for no Rio de Janeiro- nada mais justo. Você vê mulheres muito arrumadas e maquiadas na serra gaúcha, coisa típica daquela região. Mas você encontra em todos os cantos aquela foto de biquinho e os nomes esquisitos que um roteirista de comédia jamais inventaria. Não dá pra conceber uma Vaneleyde, por exemplo.

As mulheres mais novinhas me acharam um chato por puxar assuntos como objetificação do corpo, banalização das conexões humanas e que tipo de cultura o Tinder embarca – se é que existe um limite. Claro, o tiozão aqui esqueceu que elas estão se descobrindo e tacaram um foda-se para alguns assuntos sérios. Se é gatinho e bom de papo, vem que eu te quero. As mais velhas parecem não perder tempo com os candidatos que as novinhas preferem, porque sem conteúdo não rola. Algumas reclamam que uns caras são agressivos no approach e só querem sexo, e outras reclamam que com a maioria o papo fica limitado a você é linda o que faz onde mora, assim mesmo, sem pontuação. Parece que os usuários do Tinder podem não saber português – esteja preparado. Mas algumas mulheres são tão inteligentes e articuladas, que me surpreende que não consigam um bom papo com qualquer match conquistado. Esse é um aspecto interessante: você tem charme, beleza, inteligência e sabe se comunicar, mas o papo trava. Por que não dá certo com a maioria com quem conversa? Parece que, mais uma vez copiando a vida ao vivo e a cores, o Tinder traz para a nossa lista de contatos pessoas muito diferentes de nós, e o critério de inclusão pode ter sido tão ordinário quando uma foto bonita.

Mas eu não posso reclamar dessa experiência, porque eu fiz amizades por lá. Independente da química e do carinho que eu tive com elas, valeu muito a pena. Hoje eu tenho bons laços com pessoas que eu estimo – pessoas, e não itens em um catálogo. Porque quando você consegue passar da entrevista de RH inicial e trabalha algum assunto de verdade com alguém, a chance de continuar e desejar que isso evolua pode ser grande – até mesmo no Tinder. Se parece pouco, saiba que é muita coisa para um aplicativo cujo objetivo inicial era apenas tacar fogo nos seus lençóis.

Eu vejo você.

Eu estudava com cuidado aqueles olhos profundos, porque eu sabia que lá dentro as regras seriam diferentes. Não dava para simplesmente mergulhar naquele mar desconhecido sem medo, sem sentir aquele frio na espinha que arrepia a nuca. Porque  as leis da física não são as mesmas no universo paralelo que são as suas pupilas. E enquanto as suas íris castanhas de poucas linhas e pintas e figuras se adaptavam ao sol que se escondia nas nuvens, eu via o quanto você é humana e o quanto você é completa assim. E os seus olhos são lindos quando você sorri e quando você chora, e também quando você me fala séria sobre a nossa amizade.

Esse mar desconhecido é bem transparente, na verdade. Ele nunca negou que pode conter ameaças mortais e escuridão, mas também nunca negou luz e acolhimento. E ele nunca quis ser somente um lago criado por um pintor famoso, feito de óleo sobre tela com traços finos no sentido  e delicados para o deleite de alguém que o imagine sem defeitos e com muitas cores. E esse mar pode conter um mundo inteiro a ser descoberto, cheio de detalhes e surpresas, mas pode ser tão simples que confunde.

Quando você me olha nos olhos e baixa todas as suas defesas, você se torna a pessoa mais especial que existe pra mim. Porque naquele momento não pode haver mais nada, nem mesmo o tempo. E se você mantém o seu olhar único e cheio de brilho fixo no meu, nada mais incomoda, porque o medo vai embora e leva tudo o que me prende.  O seu olhar deleta todos os padrões de formatação que o meu julgamento cria para que eu possa controlar o meu mundo. E assim, sem controle, eu finalmente me sinto inteiro.

 

 

 

Em 2016, respire mais.

Se você pudesse voltar um ano e contar uma história breve do que aconteceu em 2015, o que você diria? Daria conselhos sobre a crise e o dólar e o quanto doí abastecer o carro e comprar passagens aéreas? Confidenciaria a si mesmo que o seu casamento vai terminar, ou pior que isso, vai continuar como está? Trataria logo de alertar sobre as doenças na família ou sobre o problema com drogas daquele amigão que você quer muito bem?

Se alguém igual a você viesse com notícias boas e notícias ruins sobre 2016, você acreditaria? Você seguiria os seus conselhos?

Se eu pudesse voltar no tempo e contar uma história para quem eu era há um ano, acho que não diria nada. Tudo o que passou foi importante e único, e é tudo meu. Eu estava lá a cada instante, mesmo quando me distraí, e eu não abro mão de nada. Nem mesmo das decisões ruins no trabalho e na economia, ou daquele medo de ir para o lugar errado na hora errada, ou da dor de ter pisado na bola com quem eu amo. Talvez, no máximo, eu daria dois tapinhas carinhosos e demorados no ombro do Maurício mais novo, e com um sorriso no rosto eu diria que vai ficar tudo bem.

Por que você mudaria algo que passou? Por que alguém perderia tempo e energia imaginando o que poderia ter sido melhor? Você não vai acertar se der um palpite de como estaria rico e bem amado se pudesse trocar alguma peça de lugar. E você não conseguiria ajustar tudo para que no futuro a sua vida se torne um sucesso, porque não existe controle e previsibilidade e muito menos estabilidade. Tudo muda o tempo todo.

Mas agora eu quero lhe contar um segredo: você já é um sucesso, aqui e agora. E você já era um sucesso um ano antes – você sempre foi. Porque no presente você está vivo e nada pode ser melhor do que isso. Você faz parte desse movimento belo e complexo e gigante que nós chamamos de vida, então respire fundo e olhe ao seu redor com atenção. Perceba a vida acolhendo quem você é, e acolha tudo ao seu redor exatamente como está. Aceite que você tem defeitos e ame a si mesmo sem deixar nada de fora. Entenda que a vida acontece mesmo quando você está de birra porque queria muito que as coisas fossem diferentes, e não resista à verdade de que tudo o que é vivo um dia deve morrer. Ame com paixão ou compaixão ou ternura – tanto faz – desde que ame muito. Viva o presente, a cada instante, a cada dia e o ano inteiro. É só o que eu desejo a você em 2016.

just-breathe

Uma segunda chance.

Jonas dobrou o papel e o guardou novamente no envelope decorado. Havia lido aquelas palavras pela quarta vez e não conteve as lágrimas em nenhuma delas. Era preciso ir. E como se já não fosse difícil evitar aquela batalha entre o que se deve fazer e aquilo que o coração deseja, a carta mais linda do mundo terminou de silenciar o autocontrole e convidou todas as emoções para gritarem bem alto.

Jonas encontrara Ana no aeroporto, dez dias antes. Nunca tinham se visto ao vivo, mas reconheceram-se de imediato e se abraçaram forte. Sem falar uma palavra, se beijaram.

Foram dez dias incríveis. Ana planejou tudo com um mês de antecedência, mas sempre soube que cada instante traria uma surpresa. Como na primeira noite, quando andou de mãos dadas com ele – ela nunca anda de mãos dadas. Ou quando dormiu no abraço de Jonas. Ana nunca gruda em ninguém para dormir e sequer a sua gatinha Maya tem chance. E mesmo que aquela conversa séria e inesperada sobre o que seria deles no futuro a tenha feito chorar, Ana viveu com a intensidade de quem está inteira e presente, e sentiu uma satisfação sem tamanho ao perceber que venceu essa mania que a vida tem de nos decepcionar.

Todo mundo sabe que é difícil manter uma paixão acesa. Se você considerar uma distância de mais de 10.000 km e situações de vida complexas, parece até insano se apaixonar. Mas Ana e Jonas não vivem apenas uma paixão: eles sabem que sequer precisam e que jamais conseguiriam dar nome ao que sentem. Quando um acolhimento perfeito os faz se sentirem completamente à vontade e a admiração os faz desejarem estar sempre por perto, a distância e os problemas perdem o sentido: eles simplesmente amam, aqui e agora.

Depois de horas de videochamadas e mensagens a cada dia, durante meses, conseguiram arrumar um tempo para um encontro. Finalmente ficaram juntos, e se olharam como crianças curiosas e entusiasmadas. Pode ser estranho quando você conhece uma pessoa muito bem sem nunca tê-la visto, e seus olhos precisam se adaptar à sua forma e aparência. Mas pode ser muito gostoso associar aquela presença gigante e que te faz tão bem aos traços e trejeitos de quem você deseja tanto.

Já não havia dúvidas sobre o que sentiam quando Ana o deixou com algumas cartas no aeroporto. Uma delas devia ser lida apenas no avião, e ele se sentiu novamente um menino quando finalmente se acomodou na sua poltrona, sorrindo e cheio de ansiedade. Lá estava ela, em cada palavra, encantadora, sábia, linda e apaixonante. E lá estava ele, o homem mais sortudo e amado do mundo, chorando de saudades, amor e alegria.

 

oh